18
de
dezembro
Histórias de amor - 2
Estou num lançamento de livros, pessoas bem vestidas, maioria mais velha - uns 50 pra cima. Uma mulher bonita, apenas. É ela. Estou longe, observando-a comer salgadinhos, beber refrigerante, conversar com senhoras. Ela é linda. A sala é barulhenta. O lançamento nem é tudo isso. Nem sei pra quê vim, não como salgadinho e não bebo refrigerante. Ela é linda. Como será seu nome? Bajuladores, cabides, fominhas. Se me pedissem pra falar sobre o ambiente. Diria mais, a luz atrapalha a leitura. Só uma mulher da minha idade bonita, e nem conversamos. Vou esperar a chuva passar e vou.Â
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Sabe que pra escolher roupa sou rápida. Agora, pra livros eu demoro. Fico na dúvida entre dois, e depois lembro de outro, e mais outro, e se deixar… Mais de dois não posso levar. Não tenho dinheiro pra isso, e meu pai só me permite dois, por vez. Se eu bebesse seria melhor?, seriam só duas? Qual levar? Me ajuda. Me dá uma dica, então. Leio, leio bastante. Adoro ler. Sabe que deixei de namorar pra ler. É sério, era sábado e eu não tinha terminado um livro, e meu namorado - na época não namorávamos - ficou me enchendo o saco pra sair, e eu queria ler. Fiquei lendo. Que besteira, um sábado de nada. Então, qual livro vou levar?
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Olha, tô vendo que você tá na pior. Terminou o namoro, não é? Fica assim não. Quando eu tinha sua idade eu também tinha o amor da minha vida. Nós jurávamos que Ãamos viver juntos por toda vida. E acreditávamos nisso piamente. Namoramos por onze anos. Ela por fim queria casar. Mas já éramos casados. Só no papel e na igreja que não, mas o que isso importa? Fiquei matutando aquilo por uns dois meses até aceitar. Mas antes de aceitar tive que ter uma conversa séria com ela. E aà falei que durante os primeiros quatro anos eu tive uma amante, namorada na verdade. Tive que escolher entre elas e a outra sobrou. Uma não sabia da outra. Sabe o que ela fez quando falei isso? Meteu o pé na minha bunda! Chorei muito, sofri muito. Ela nunca mais quis me ver, atender telefone, nada! Passei muito tempo mal, mas agora melhorou. Mas tem uma coisa, um dia eu consigo comer todas as mulheres do mundo. Se não der do mundo, pelo menos daqui tá bom.
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Ah!, como é bom escutar música. Não sei o que seria de mim sem música! Aqui eu esqueço daquela filha da puta da faxineira. Não preciso suportar aquela chefe desgraçada, que não libera um minuto sequer pra gente abrir o e-mail, ler um jornal. O que ela quer? Pior não é isso. O babaca do gerente, puxa saco da chefe, a convidou pra jantar, e quem estava no restaurante, sozinho, jantando? Eu! E o que os dois fizeram? Sentaram à mesa comigo. Fiquei sem graça de dizer que não os queria ali, comigo. E também não podia dizer que esperava alguém, pois eu já havia jantado, estava terminando o vinho para ir sozinho embora. Ah merda! No outro dia iam falar pelos cotovelos que fiquei esperando no restaurante sozinho e ela não apareceu. E aà o mané do Júnior, meu subalterno puxa saco do gerente, ia rir pelas costas. Só música mesmo pra aliviar… Se pudesse ouvir música no trabalho… Aquela filha da puta! Vou aproveitar que estou tranquilo e tomar banho pra dormir.
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Li num livro que um homem amava tanto uma mulher que não conseguia mais viver. Não lembro mais o livro, já li tantos. Não sei se é verdade. Mas não precisa ser verdade. O livro é literário, ficção, e mesmo assim as pessoas buscam verdades. Pô, não percebem? Eu sei que os leitores gostam de livros leves, suspenses sem grandes sustos, mistérios decifráveis logo de cara. Mas não me importa. Importa o que eu gosto de ler. Por que tenho que me importar com o quê você gosta? Importa o que eu leio? Leio os brasileiros, novos e “usados”, os franceses, cubanos, argentinos, chilenos, portuguêses, angolanos. Não me importa, se me agrada eu leio. Será que é verdade que uma pessoa pode perder a vontade de viver por amar tanto? Os machões dizem que as mulheres amam mais que os homens. Não acredito. Preciso de um poema pra mandar a uma amada ainda hoje. Qual será que mando?
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