11
de
abril
A vida quando descobre seu prazo de validade
De repente me vi sozinho. Sempre com muitos amigos. E agora só.
Não é ruim ficar só. Acostumei com isso já tem uns anos, desde os tempos de Floripa. Saio, me divirto, converso com alguém. Só que neste feriado de Páscoa todos saÃram da cidade e eu não. Eu já estava com a mala pronta para ir a Diamantina mas não fui. Problemas de saúde. Então fiquei.
A sensação de estar sem alguém ao lado me pegou sério ao saber do “prazo de validade” do Foca. Foi um baque geral! Todos comovidos. O choro rompeu os limites geográficos e foi parar em Foz do Iguaçu, PR. A estrada (ah! estrada!) não conteve os sentimentos. Quando contei o caso a um amigo, sua namorada falou: Nossa, pelo jeito que você fala…
Sim, é um cachorro. Uma compainha. Mais que isso. Um parceiro! Parceiro nas caminhadas noturnas onde só nós dois éramos vistos nas madrugadas. E teve gente que sentiu nossa falta! Dá pra acreditar? Buscávamos a solidão da madrugada e ainda deixamos saudades! Agora não podemos mais passear, Foca tem um problema sério de coração, e a médica veterinária deu um prazo de validade para ele.
“De repente, não mais que de repente” me vi envolto a poesia, lendo, sentindo, curtindo a pequena solidão no meu mundo fÃsico - pois é, tem um lugarzinho aqui que é meu. E neste lugar (chama-se O Berço [da loucura]) a poesia tornou-se amiga, companheira. Então me tornei um careta! Em casa lendo poesia enquanto a galera vai pras baladas. Devo admitir que recusei uns convites.
Hoje é sábado. Será que sairei para tomar uma cervejinha, afinal aqui é BH, em BH nós vamos pro bar. Ou ficarei com a poesia? Provavelmente sairei com meu carro pela estrada cantando: “Eu não ando só, só ando em boa companhia, com meu violão, minha canção, e a poesia”.
Saravá Poetinha!

