Márcio AF Souza

Crônicas, poemas © - comentários, citações

11

de
abril

A vida quando descobre seu prazo de validade

De repente me vi sozinho. Sempre com muitos amigos. E agora só.

Não é ruim ficar só. Acostumei com isso já tem uns anos, desde os tempos de Floripa. Saio, me divirto, converso com alguém. Só que neste feriado de Páscoa todos saíram da cidade e eu não. Eu já estava com a mala pronta para ir a Diamantina mas não fui. Problemas de saúde. Então fiquei.

A sensação de estar sem alguém ao lado me pegou sério ao saber do “prazo de validade” do Foca. Foi um baque geral! Todos comovidos. O choro rompeu os limites geográficos e foi parar em Foz do Iguaçu, PR. A estrada (ah! estrada!) não conteve os sentimentos. Quando contei o caso a um amigo, sua namorada falou: Nossa, pelo jeito que você fala…

Sim, é um cachorro. Uma compainha. Mais que isso. Um parceiro! Parceiro nas caminhadas noturnas onde só nós dois éramos vistos nas madrugadas. E teve gente que sentiu nossa falta! Dá pra acreditar? Buscávamos a solidão da madrugada e ainda deixamos saudades! Agora não podemos mais passear, Foca tem um problema sério de coração, e a médica veterinária deu um prazo de validade para ele.

“De repente, não mais que de repente” me vi envolto a poesia, lendo, sentindo, curtindo a pequena solidão no meu mundo físico - pois é, tem um lugarzinho aqui que é meu. E neste lugar (chama-se O Berço [da loucura]) a poesia tornou-se amiga, companheira. Então me tornei um careta! Em casa lendo poesia enquanto a galera vai pras baladas. Devo admitir que recusei uns convites.

Hoje é sábado. Será que sairei para tomar uma cervejinha, afinal aqui é BH, em BH nós vamos pro bar. Ou ficarei com a poesia? Provavelmente sairei com meu carro pela estrada cantando: “Eu não ando só, só ando em boa companhia, com meu violão, minha canção, e a poesia”.

Saravá Poetinha!

17

de
março

Miniaturas

1

Que susto. Já assino o nome dele.

Susto passa.

.

2

São lindas…

Te amo.

.

3

Jurei que não queria saber de mim.

Poxa, isso que pensa de mim?

.

4

Ah não, agora chego em casa e faço janta, lavo roupa…

.

5

Procura-se: um amor que saiba, ao menos, ver o que gosto.

.

6

Solta o cabelo, fica ainda mais linda.

Onde me viu de cabelo solto?

.

7

Sou aquele menino que fica do lado da bola enquanto o amigo toma distância para chutar.

E você?

.

8

Olha, já faz tempo… Não é só…

Outra hora, meu amor.

.

9

Namorar aqui, na praça?

Não está bom?

.

10

Fala isso mais não. Depois fico imaginando…

Seu bobo…

.

11

Isso é meu presente?

É…

.

12

Mas não dá pra saber quando fala sério ou brincando!

2

de
fevereiro

O “ser” cronista

Sempre imaginei escrever crônicas, nunca imaginei que para isto teria que ler, pesquisar, estar atento ao mundo em minha volta. Hoje foi eleito Sarney para presidente do Senado. Acontece o Festival de Verão de Salvador. As boazudas estão preparando os silicones para o carnaval. Carros são roubados na Zona Sul como nunca aconteceu antes, em plena luz do dia. Assaltos com refém torna-se normal no Brasil de Lula.

O que se tem escrito no mesmo Brasil de Lula? O que os poetas têm dito, nestes últimos anos? E os cronistas? Quais os livros lançados aqui que não estão na lista da Veja e que são ótimas leituras; nem sempre fáceis best-sellers. Eis a grande questão: saber!

Em uma conversa uma amiga disse que não gostou muito do Haiti, pois lá a desigualdade é imensa. E aqui? Ela disse que aqui não é tanto. Pois bem, se aqui, no Brasil, não é tanta, lá não deve estar pior. Certo? Estive pensando sobre isso há um tempo, no Topo do Mundo, e tirei uma idéia apenas observando os carros que subiam a serra. Como não sei de modelos, vou pelo valor estipulado: uma moto 150cc; depois uma caminhonete de 150 mil; logo depois um carro-mil; e outra caminhonete de 250 mil; logo depois um Fiat 147 que nem preço tem; e em seguida uma moto 600cc, uns 20 mil; aí veio um ônibus com alguns passageiros; e depois um carro em torno de 40 mil; mais um carro-mil. E assim por diante.

Será que não há desigualdade naquela curva de serra? Só foi possível a observação graças ao acidente causado por uma Van, transportando pessoas que mexiam com os motoristas e seus acompanhantes; acho que foi a melhor maneira de passar o tempo e a raiva de um passeio de domingo perdido. Um passeio longo e longe de casa.

Enquanto a menina me falava da desigualdade passávamos em frente a uma favela, das maiores de BH, entre dois bairros de classe média alta. A favela tem vista para um lago, com pista de correr e fazer exercícios. Conhece algum bairro de periferia com uma pista de correr com lago? Pode ser só uma pracinha limpa.

Não julgo a capacidade dela. Julgo a minha. Eu queria ser cronista, então a obrigação é minha de ficar atento ao mundo que me cerca.

18

de
dezembro

Histórias de amor - 2

Estou num lançamento de livros, pessoas bem vestidas, maioria mais velha - uns 50 pra cima. Uma mulher bonita, apenas. É ela. Estou longe, observando-a comer salgadinhos, beber refrigerante, conversar com senhoras. Ela é linda. A sala é barulhenta. O lançamento nem é tudo isso. Nem sei pra quê vim, não como salgadinho e não bebo refrigerante. Ela é linda. Como será seu nome? Bajuladores, cabides, fominhas. Se me pedissem pra falar sobre o ambiente. Diria mais, a luz atrapalha a leitura. Só uma mulher da minha idade bonita, e nem conversamos. Vou esperar a chuva passar e vou. 

 *

Sabe que pra escolher roupa sou rápida. Agora, pra livros eu demoro. Fico na dúvida entre dois, e depois lembro de outro, e mais outro, e se deixar… Mais de dois não posso levar. Não tenho dinheiro pra isso, e meu pai só me permite dois, por vez. Se eu bebesse seria melhor?, seriam só duas? Qual levar? Me ajuda. Me dá uma dica, então. Leio, leio bastante. Adoro ler. Sabe que deixei de namorar pra ler. É sério, era sábado e eu não tinha terminado um livro, e meu namorado - na época não namorávamos - ficou me enchendo o saco pra sair, e eu queria ler. Fiquei lendo. Que besteira, um sábado de nada. Então, qual livro vou levar?

 *

Olha, tô vendo que você tá na pior. Terminou o namoro, não é? Fica assim não. Quando eu tinha sua idade eu também tinha o amor da minha vida. Nós jurávamos que íamos viver juntos por toda vida. E acreditávamos nisso piamente. Namoramos por onze anos. Ela por fim queria casar. Mas já éramos casados. Só no papel e na igreja que não, mas o que isso importa? Fiquei matutando aquilo por uns dois meses até aceitar. Mas antes de aceitar tive que ter uma conversa séria com ela. E aí falei que durante os primeiros quatro anos eu tive uma amante, namorada na verdade. Tive que escolher entre elas e a outra sobrou. Uma não sabia da outra. Sabe o que ela fez quando falei isso? Meteu o pé na minha bunda! Chorei muito, sofri muito. Ela nunca mais quis me ver, atender telefone, nada! Passei muito tempo mal, mas agora melhorou. Mas tem uma coisa, um dia eu consigo comer todas as mulheres do mundo. Se não der do mundo, pelo menos daqui tá bom.

 *

Ah!, como é bom escutar música. Não sei o que seria de mim sem música! Aqui eu esqueço daquela filha da puta da faxineira. Não preciso suportar aquela chefe desgraçada, que não libera um minuto sequer pra gente abrir o e-mail, ler um jornal. O que ela quer? Pior não é isso. O babaca do gerente, puxa saco da chefe, a convidou pra jantar, e quem estava no restaurante, sozinho, jantando? Eu! E o que os dois fizeram? Sentaram à mesa comigo. Fiquei sem graça de dizer que não os queria ali, comigo. E também não podia dizer que esperava alguém, pois eu já havia jantado, estava terminando o vinho para ir sozinho embora. Ah merda! No outro dia iam falar pelos cotovelos que fiquei esperando no restaurante sozinho e ela não apareceu. E aí o mané do Júnior, meu subalterno puxa saco do gerente, ia rir pelas costas. Só música mesmo pra aliviar… Se pudesse ouvir música no trabalho… Aquela filha da puta! Vou aproveitar que estou tranquilo e tomar banho pra dormir.

 *

Li num livro que um homem amava tanto uma mulher que não conseguia mais viver. Não lembro mais o livro, já li tantos. Não sei se é verdade. Mas não precisa ser verdade. O livro é literário, ficção, e mesmo assim as pessoas buscam verdades. Pô, não percebem? Eu sei que os leitores gostam de livros leves, suspenses sem grandes sustos, mistérios decifráveis logo de cara. Mas não me importa. Importa o que eu gosto de ler. Por que tenho que me importar com o quê você gosta? Importa o que eu leio? Leio os brasileiros, novos e “usados”, os franceses, cubanos, argentinos, chilenos, portuguêses, angolanos. Não me importa, se me agrada eu leio. Será que é verdade que uma pessoa pode perder a vontade de viver por amar tanto? Os machões dizem que as mulheres amam mais que os homens. Não acredito. Preciso de um poema pra mandar a uma amada ainda hoje. Qual será que mando?

 

 

23

de
agosto

Rodapé

Acabo de ler que nosso vôlei feminino foi campeão olíimpico. Que beleza! Fiquei mais feliz do que com o fracasso do futebol masculino. Na verdade eu encarei todas as vitórias, segundo lugar também é uma vitória!, como um tapa naqueles jogadores-propaganda. Nosso futebol é o único esporte que não treina, não rala, na vende a alma ao diabo para ali estar, numa seleção! Gostam de fotos, autógrafos, festas, aparecer, aparecer. Puta que pariu, como fiquei feliz pelo vôlei, de praia também!

Um colega achou um fracasso a dupla feminina. Porra, será que ele tem idéia do que é ser um atleta de vôlei de praia no Brasil e chegar às Olimpíadas? Imagine o atletismo, handball, gisnásticas, natação, boxe!, e os pára-olímpicos!

Ainda me perguntam pra que o livro!

Um beijo a minha prima Kely, medalha de bronze nas Olímpidas de Sidney. Tenho uma camisa dela pra provar. Por estes dias nascerá seu primeiro filho. Já nasce sob uma glória da mãe!

9

de
agosto

Meu sábado poderia ter sido pior

    Estava eu, Márcio, andando pela lagoa, curtindo uma tarde de sábado. Dia bonito, não ventava muito. Veio em minha direção uma menininha muito bonitinha, de uns 3 anos. Achei a cena linda, e com toda a minha simpatia abri um sorriso, e ela, pra retribuir gritou, chorando: mãe!, mãe!
    Dei uma gargalhada e a mãe da menina ficou sem entender. Cheguei do seu lado e falei, sua filha matou meu sábado, fui sorrir pra ela e ela quase chorou!
    Juro!

12

de
junho

Brindemos à Literatura

    Ontem uma pessoa me perguntou o que significa um trabalho literário para a sociedade. Respondi assim: pouco; e qual o espaço que a literatura tem dentro da sociedade? Não soube responder. E então foi tentando me fazer assumir que o que eu faço não é de utilidade, não serve pra nada.

    Perguntei a ele se ele tinha idéia de que foi a partir d´Os Lusíadas que a língua portuguesa começou a ter forma definida, que foi a partir de A Divina Comédia que a língua italiana passou a ter forma. Veja, foi da arte para a ciência. Me perguntou se não acho frustrante me especializar em algo que quase ninguém se interessa, se fazer Letras não é inútil.

    Já havia me perguntado sobre o valor de trabalho literário antes, e minha resposta foi curta, sem muita vontade pra discussão. Ontem resolvi falar, e ele não teve resposta quando eu falei: já pensou que se não tivesse a Dona Maria, sua professora que ensiou a ler ca-que-qui-co-cu, você ia tomar no cu! ia se foder! Já pensou isso? Você seria um fudido!

    Ele, que estuda engenharia mecânica e gosta de carros, não teve mais resposta. Depois nos contou que tem uma namorada, e hoje, dia dos namorados, tava pensando em terminar com ela, mas não tinha coragem porque ela era virgem. Falei pra ele: você é burro? vai terminar agora?Compra uma flor pra ela.

    Só não falei pra ele mandar uma rosa com um cartão com um poema porque ele iria entrar na internet, pegar um poema que recebeu no email com o nome do Veríssimo, e ela ia achar a milésia maravilha, sem saber que o Autor não escreve poesias…

    Toda vez que alguém fala que cada um tem um gosto eu respondo: ainda bem!

PS: Leia o que Rubem Fonseca escreveu sobre essa história de que a literatura de ficção morreu; aliás, seu último livro "O Romance Morreu" é um tapa nessas pessoas; ou não?

Poema de Carlos Drummond de Andrade.

O AMOR ANTIGO

 

O amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera,

mas do destino vão nega a sentença.

 

O amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.

Por aquelas mergulha no infinito,

e por estas suplanta a beleza.

 

Se em toda parte o amor desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o antigo amor, porém nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

 

Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.

 

 

    Imagina se o camarada mandasse este poema à sua namorada… Uma pena que pra ele a Literatura não vale nada… Imagina se o camarada soubesse o que uma mulher sente ao receber um poema… Mas ele só têm olhos pra carros…

3

de
maio

E de repente…

Me vejo em casa sábado à noite, bebendo água e sem muita paciência pra muita coisa. Uma música no violão, uma volta com o cachorro, umas músicas, um episódio de Mandrake…

Um gole na água, um olhar pros lados, e tudo volta ao normal. Por que pensamos? Quem foi o filho da puta que começou a pensar? Esses dias eu ia escrever uma crônica sobre o Dia do Escritor, mas só pensei. Seria mais ou menos assim: e se eu não tivesse lido Saramago, Drummond, Cruz e Souza?, e alguns outros (isso na época de Floripa).

Me lembro de uma aula de interpretação de textos extra, à tarde. Era mais importante que as aulas de Física, pra mim. (E por ir muito mal em Física não passei no vestibular pra Letras!). Lembro que ficava fascinado com o que diziam os poemas, os textos… E foi nesta época que pensei: quero ser poeta! Ingenuidade. Mas boa, pois tinha 19 anos.

Agora to aprendendo a ler Camões, e descobrindo como é bonito! Entender um poema pode ser uma descoberta tão grande para sua vida, e até mesmo mais importante que saber a fórmula de Báscara!, que pode tirar lições de hoje com poemas escritos ontem. Por exemplo: eu hoje aqui, em frente ao computador escrevendo para um blog que não divulgo o link, abro um livro do Vinícius de Moraes e leio "Quem sabe a solidão, fim de quem ama".

Ontem eu abri minha agende de 2006 e encontrei um poema escrito lá e que ficou lá, sem ser lido, esse tempo todo… Eu nem lembrava dele, mas está lá. Não escrevi título para ele, apenas uma frase em cima, e com outra cor de caneta: Final de semana apaixonante com a Rita. O poema é sobre as despedidas, a vontade de ficar juntos, de poder viver um amor.

"De repente, não mais que de repente", o computador sumiu com a crônica que eu tinha escrito, e como não consigo escrever as mesmas palavras saiu assim… Tá bom, assumo, saiu dos trilhos…

5

de
abril

Acordar bem dá nisso!

Ontem eu estava na aula de literatura sobre um conto do Machado de Assis e percebi o seguinte: a menina que deixa de ler Machado de Assis durante a aula pra ouvir Jota Quest pode muito bem estar cometendo um pecado mortal para os amantes da literatura de Machado de Assis. Porém, para os amigos e amigas dela, ela era a maioral! Sabe de uma, e se ela entrar no orkut e falar sobre o Machado de Assis, falar que não gosta do livro tal, não acha graça em outro conto…
Tive um professor que falava assim nas aulas dele: Não leu, cala a boca! Não fala merda (merda já é invenção minha).

———–

Que isso? (Que palavãro)

Puta merda!
Puta merda!
Uma puta merda!

Puta merda!
Puta merda!
Uma puta, merda!

Puta merda!
Puta merda!
Uma… puta merda!

Puta merda!
Puta merda!
Uma… puta, merda!

Puta merda!
Puta merda!
Uma… puta… merda!

Puta merda!
Puta merda!
Uma puta… merda!

Escrevi agora, de improviso… E veja como é rica nossa língua!

11

de
novembro

10 de novembro

Era pra ser um dia só de alegria, pelo menos pra mim, que esperava isso. Fui fazer a segunda etapa da prova do conservatório de música do Cefar e saí de lá arrasado. Chorei. Chorei sozinho na Praça do Papa. E lá vi algumas imagens bonitas, porém, não naquele momento.

Não tive inveja da felicidade alheia, só queria estar feliz. Gostaria muito de ter saído da prova com um sentimento de esperança, um pinguinho só já tava bom. Chorei por outros motivos também. Isso era no fim de tarde. Mas depois passou.

À noite, já passando da meia noite, quando meu aniversário chegava batendo à porta, chegaram juntos Lu e Seth, Érica, Jairzinho e Rebeca. Foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ter recebido. Seth, marido da Lu, todo gentil oferecia qualquer lugar pra eu escolher o jantar e comemorar. Fomos comer uma deliciosa pizza.

Durante o jantar Seth me pergunta: você ganhou o que queria? Olhei ao redor e disse: sim; com os olhos cheio de lágrimas. Pela primeira vez, que eu me lembre, passo um aniversário com meus primos. Foi ótimo.

10 de novembro está marcado! Fui da tristeza, com um sentimento de fracasso e perda tão grande, ao sentimento sincero de felicidade. Como eu gostei!

No fim de tarde na Praça eu só pensava isto: eu só queria estar alegre! Demorou um pouquinho e a alegria apareceu. Me parece, na vida, que é assim mesmo, você quer, espera e busca, que chega, um dia chega.

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