Márcio AF Souza

Crônicas, poemas © - comentários, citações

5

de
fevereiro

Dúvida cruel

__Você tem os cabelinhos da xoxota assim?

__Quê?!

__Os cabelinhos…

__Você é maluco?

__Claro que não. Sou curioso. São roxos?

__Não. São rosas. Quer ver?

__Agora?

__Pode ser. Quer?

__São roxos?

__Você mesmo pode ver. Com seus próprios olhos.

__Aqui?

__Qual é o problema? Não é curioso?

__Sou. Já fiz tratamento com psicólogas por anos, pra falar a verdade.

__E pelo visto não adiantou muito, não é?… Você só pode ser maluco.

__Não sou. Acredita?

__Pior que acredito. Posso falar uma coisa?

__Claro.

__Tô apaixonada!

__É mesmo?!

__Juro.

__E pode me falar quem é o sortudo?

__Você!

__Acho que você é maluca.

__Acha?

__Acho.

__Acha errado.

__Será?

__Aposto.

__Por que eu estaria errado?

__Porque você que é maluco, e não eu.

__Mas você falou que tá apaixonada…

__E morrendo de vontade de trepar. Você não tá?

__Eu…?

__É! Você!

__Você é maluca…

__Não quer ver se são roxos?

__Tá louco… essa maluca tá doida.

__Anda, vem… Não tava em dúvida?

__Agora é outra. Quem é maluco de nós dois?

__E você ainda pergunta. Claro que é você.

__Eu não, maluca é você.

__Olha aqui, doidão, você me pergunta se tenho os pentelhos roxo e ainda fala que eu é que sou maluca! Tá doido? Bebeu? fumou? Me dá um desse que você tomou!

__Já falei, é psicológico. Fiz tratamento durante uns dois anos mais ou menos. Eu ia lá e falava, falava, e ela falava, falava, e eu falava, e ela falava, e no fim das contas eu pagava e não adiantava nada, porque eu fui descobrir que pra aprender as coisas eu preciso escrever.

__Me beija! Me leva pra cama!

__Você só pode ser doida.

__Você foi a única pessoa que disse isso. Será que alguém mais pensaria isso?

__Espero que sim.

__Que isso! Não tem ciúme da sua namorada!?

__Namo – quê!?

__Namorada. Ouviu muito bem! Não somos um casal de namorados?

__Nossa – mãe! Você nasceu?

__Frui brotada. Como todas as outras flores. Olha, já sei com qual vestido vou casar!

__Casar? O que você bebeu?

__Água mineral.

__Com ou sem gás?

__Com.

__É isso. Só pode. Vou escrever para todas as companhias de água e pedir um exame. Você não pode ser normal.

__Querido, já falei sobre ser normal. Não fui eu quem fiz psicóloga pra arrumar uma namorada disposta a casar logo. Saí na rua perguntando a cor do pentelho dos homens? Saí? Agora vai casar! Meu pai morreu, mas se ele fosse vivo diria que com filha dele ninguém brinca! Pode providenciar a festa.

__Você é doida?

__Você agora só sabe falar isso? Seu babaca! Quem é doida aqui, hein!? Fala… Isso é jeito de abordar as pessoas na rua?

__Olha, foi só uma piada.

__Piada? Isso foi uma piada?

__É, foi sim. Por quê? Não gostou?

__Adorei. Agora vamos pro motel.

__Você é louca. Só pode.

__Não fez uma piada com meus cabelos e meus pentelhos? Agora você vai até o motel, nem que seja só pra ver.

__Então mostra aqui mesmo, vai. Rápido. Dá só uma abaixadinha na calça e mostra.

__Aqui? Assim?

__É. Não quer mostrar? Vai fazer doce agora?

__Vai dar não.

__Me chama de louco, chama pro motel (você ia pagar? porque eu não tenho um tostão.), fala que vai mostrar e não mostra. Qual é a sua?

__Raspei.

__Ah… Então tchau.

__Tchau? Maluco, pensou.

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Esta e outras crônicas estarão no livro Conversa Fiada

28

de
novembro

Senhor Presidente da República

Graças a um jovem bom moço, que escreve cartas aqui na praça da cidade, poderei me comunicar com você. (Digo você porque não tenho porquê chamar um homem de Vossa Excelência se este homem rouba e deixa muitos outros roubarem). Eu não sei escrever e nem sei usar os verbos bonitos, como esse moço aqui sabe, então se tiver um erro ou outro na minha carta é culpa minha, e não do moço.

 

Eu acreditava que você seria um bom presidente. Votei no senhor, convenci meus amigos do boteco a votarem no senhor, fiz apostas, colei adesivos, cartazes, usei camisas, bonés, e em troca o que eu recebo? Nada! Não fizeram o esgoto que prometeram pra nossa favela, a comunidade precisa de água encanada, as crianças não vão à escola porquê não tem professor, os jovens ficam nas ruas, sem empregos, soltos.

 

Eu não posso mais trabalhar. Estou velho, e minha aposentadoria é miserável. Tenho vergonha de falar isso, mas falo. Preciso falar! Cansei de ver na televisão roubos, fraudes, desvios, acusações, escutas telefônicas, tudo mais para provar que deputados, vereadores, prefeitos, juizes, advogados, e mais lá o que for, estão roubando do povo! É isso mesmo, roubando! São ladrões! E o presidente convive com ladrões! Eu também convivo com ladrões, mas não porque quero!

 

Sinto uma enorme vergonha por estar na praça pedindo a um jovem que escreve cartas de amor para casais apaixonados escrever esta porcaria de carta. Sei que não irá ler. Mas preciso falar! Tem idéia do que é ser um velho como eu? Sem emprego, analfabeto, com quatro filhos desempregados, uma filha prostituta (nunca assumi isso!), uma esposa que trabalha em casa de madame como doméstica, um neto. Sabe o que é isso?

 

Sabe presidente, tenho muita vontade de dar uma surra no senhor. É feio dizer isso, mas é verdade! Eu não posso dizer aqui o que deve ser feito no País, não sei também. Sei que você também não sabe. Se sabe não faz. E por que não faz? Não precisa responder, eu sei. (Que vontade de meter a mão na sua cara!). Tem idéia do que estou passando aqui, nesse banco de praça, em frente a um jovem que escreve bonito o que eu falo tudo errado, chorando de raiva, com muita vontade de matar um filho-da-puta-ladrão-ordinário? Tem idéia do que é isso? Atrás de mim tem mais cinco ou seis pessoas, esperando pra declarar seu amor.

 

Vou terminar minha carta. Não posso mais tomar o tempo deste jovem que nem irá cobrar de mim (que humilhação!). Veja, presidente, até este jovem tem pena de um velho fodido como eu. E vocês, têm pena de alguém? Não sentem vergonha? Não sentem dor ao ver pessoas como eu? Não pensa que poderia ser você, seu filho, seu amigo, aliás, você tem amigos?

Com muita raiva, vontade de meter a mão na sua cara, estrangulá-lo, esquartejá-lo…

Zé Ninguém

 

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Esta e outras estarão no livro Conversa Fiada.

22

de
outubro

Chame o Procon

__Boa tarde, em que posso servi-lo?
__É… Vai fazer o que depois do expediente?
__Não entendi.
__Vai fazer o que depois que sair daqui?
__Senhor, deseja algo?
__Sim, claro que desejo. Por isso estou aqui.
__Então em que posso ajudá-lo?
__Olha mocinha, já que me chamou de senhor posso chamá-la de mocinha, eu estou querendo saber a que horas larga o trampo, morô?
__Morei sim.
__Então…
__Então o quê?
__Que horas sai?
__Saio às onze e meia.
__Trabalha até onze e meia aqui?
__Sim, algum problema?
__Pra mim não… Quero dizer…
__Pior é quem vira a noite. O senhor deseja algo da loja?
__A vendedora.
__Qual?
__Você.
__Mas eu não estou a venda!
__No cartaz diz: Tudo dentro da loja…
__Mas não eu.
__Você sim.
__Então você também.
__Eu não trabalho aqui.
__Mas tá dentro.
__Então vou ali fora e falo com você.
__Pode ir. Isso, vai mesmo…
__O que é isso? Fechou a porta!
__Agora não pode comprar nada, a loja fechou! Fechada e com a plaquinha Closed.

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Esta e outras estarão no livro Conversa Fiada.

27

de
setembro

Procura-se Rubem Fonseca

__Bom dia senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Quem?
__Rubem Fonseca. Escritor.
__Não. Aconteceu alguma coisa?
__Não. Só estou procurando-o. Obrigado.

__Bom dia senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Não. E não conheço ninguém com este nome.
__Obrigado.
__Não tem de quê.

__Bom dia senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Não. Por quê?
__Estou procurando-o. Sabe onde posso encontrá-lo?
__Não sei quem é, muito menos onde pode encontrá-lo. Não sabe onde ele trabalha?
__Ele é escritor.
__Então porque não olha a foto dele na orelha do livro?
__Ele não põe foto.
__Esses escritores…
__Obrigado.
__Por nada.

__Bom dia senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Não. O que aconteceu com ele?
__Que eu saiba nada. Sabe de alguma coisa?
__Sobre ele não. Só sei alguma coisa sobre o que ele escreve.
__Pois é. Eu também sei disso. Queria encontrá-lo.
__Pra quê?
__Não sei. Na verdade acho que não saberia o que falar com ele…
__Já perguntou a mais alguém?
__Já sim. Uns senhores aqui mesmo.
__E nenhum deles era o Zé?
__Disseram que não.
__Você é jornalista?
__Longe de mim! Sou apenas um leitor. Eu queria saber se ele fala palavrão.
__Só isso?
__Também. Não sabe onde posso encontrá-lo?
__Continue procurando…
__Obrigado.
__Boa sorte.

__Bom dia senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Não!
__Obrigado.

__Bom dia senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Rubem Fonseca?
__É. O escritor.
__Não sou escritor e nem sou Rubem Fonseca. Já pensou em olhar a fotografia dele na orelha do livro?
__Já sim, mas não tem.
__Então boa sorte meu jovem.
__Obrigado.

__Boa tarde senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Sou não. Sou o João Aparecido. Já ouviu falar de mim?
__Não.
__E nem eu do Rubem Fonseca.
__Obrigado.

__Boa tarde senhor. O senhor é o Rubem Fonseca?
__Meu jovem, não sou. Tenho visto você aqui desde cedo abordando alguns senhores. E agora sei o motivo.
__Pois é… queria ver o Rubem Fonseca.
__Só ver?
__Se eu soubesse o que falar com ele melhor ainda.
__Tem idéia de como ele é?
__Mais ou menos. Sei que já é um senhor mais velho, careca…
__Mas você perguntou a pessoas que não são carecas…
__Numa dessa…
__Você lê os livros dele?
__Claro. Já li quase todos.
__Não percebeu ainda que ele prefere não ser paparicado nas ruas?
__Não quero paparicá-lo. Quero apenas vê-lo, e se possível trocar meia dúzia de palavras. E pedir pra ele ler este meu livro aqui. Se ele tiver tempo, claro.
__Entendi… Já passou pela sua cabeça que pode ter falado com ele e não percebeu?
__Já sim. Mas o que posso fazer?
__Por que não envia este livro a editora, e eles mandam pra ele.
__Será?
__Não custa tentar.
__Obrigado senhor.
__Não há de quê.

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Esta e outras crônicas estarão no livro Conversa Fiada.

15

de
julho

Minha ética ao celular

    Um minutinho turma. Alô, oi queria, tudo bem? Tô, tô na aula sim. Não, pode falar. Pode falar, não tem problema mesmo. Não sei se eles ligam, vou perguntar. Vocês se importam se eu falar ao telefone com minha esposa? Não disse, nem responderam. Mas não importa, toda hora um levanta para atender o telefone, outro mexe toda hora, deve ser mandando mensagem. Aconteceu alguma coisa? Então tá bom. Mas eu saio tarde hoje, dou todas as aulas. Se bem que é sexta, e ninguém fica até o fim. Eu tava pensando em fazer um teste surpresa faltando meia hora pra acabar; não acho sacanagem. Tem hora certa pra acabar a aula, e eu tenho obrigação em passar todo o conteúdo. Tá bom, mas o que precisa comprar no supermercado? Você não pode comprar isso na padaria aí do lado? Mas vai a pé. Pô, isso não dá três sacolas. Tá bom, pode deixar que eu mesmo vou. Mais alguma coisa? E pra comer? Nada? Então vou comprar alguma coisa pra eu comer e vou levar um vinho hoje. Não, não acho que estou bebendo demais! Acho que você está preocupada demais com coisas sem importância; por que não se preocupa com sua saúde mental e desliga essa merda de televisão enquanto fala comigo? Então tá bom, em casa conversamos mais. Vou voltar à aula. Beijo, tchau.
    Onde eu estava mesmo turma?

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Esta e outras crônicas estão no livro Conversa Fiada ©.

10

de
maio

Fui ©

__Flávia! Ele tá aqui.

__Ele quem? Onde?

__Ele, o Fernando.

__Aqui onde?

__No shopping.

__O que você faz aí essa hora?

__Tava estressada em casa, então resolvi passar aqui um pouquinho. Sabe como é né?

__Sei… Clotilde, qual o problema do Fernando tá no shopping numa quarta à tarde?

__Ué, pra você é normal? Eu ligava pra ele agora!

__O que ele faz aí?

__Olha, agora ele tá numa loja de ternos. Deve comprar um. Só pode. Não é possível que ele vem aqui só pra olhar preço.

__E qual o problema?

__Ah! Flávia, qual o problema?

__É, qual o problema em ir aí só pra olhar?

__Você hein. Ligo pra falar que seu namorado tá no shopping…

__Meu namorado não. Nos conhecemos sábado. E não marcamos mais de sair.

__Mas é aí que você entra na história. Liga pra ele agora e fala que tá vindo pra cá, e pergunta se ele não quer passear com você.

__Você acha que vou ligar pro cara que conheci no sábado à noite numa festa de aniversário de uma amiga e convidá-lo pra passar a tarde olhando vitrine no shopping? Tá louca? Deve ter meses que não entro aí.

__Depois não diga que não avisei.

__Avisou de quê? Não gostei dele.

__Como não amiga!? Ele é riquíssimo, inteligente, estudou fora e tudo. Fala inglês, francês, faz mestrado…

__Por isso mesmo. O cara é um chato! Esse inglês de escola dele não me engana. E o francês então… O cara nunca leu um livro nessas línguas, nem conhece autores, por nome. Só os clássicos e best-sellers ele diz conhecer. Pode ficar com ele pra você.

__Posso mesmo?

__Claro. Vá em frente.

__Então vou lá falar com ele.

__Vai lá.

__Então tá amiga. Beijos querida.

__Tchau.

__O que eu quero saber de autores, livros, clássicos, best-sellers… pensou Clotilde.

 

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Esta, além de outras crônicas, estarão no livro Conversa Fiada, que escrevo com a tranquilidade de um mineiro (com pressa).

21

de
janeiro

Elas são assim, hoje

 

__Bom dia, em que posso ajudá-la?
__Bom dia. Vim trazer meu book pra vocês analisarem. Eu não ia trazer, mas minha mãe não pode vir…
__Seu book?
__É, meu book. Fiz as fotos com um fotógrafo amigo. Rafael Tavarscro, conhece?
__Não. Acho que nunca veio aqui no estúdio.
__Então, como é?
__O quê?
__Vocês vão analisar e depois mandam uma resposta?
__É… mas não sei quando… Mas tem muitas candidatas pra vaga.
__Não é pro comercial de calcinha e sutiã?
__É sim. E tem muitas meninas na espera, e com muita chance.
__Mais que eu, será?
__Olha, não sei… Mas acho que sim… Porque elas são mais altas, mais magras…
__Eu sei, mas quanto a isso não tem problema.
__Não?
__Não. É uma questão de correção.
__Correção?
__É sim, correção no computador. Veja minha primeira foto. Não pareço mais gordinha aqui do que na foto? Então.
__Mas nós escolhemos meninas magras pra esse tipo de trabalho.
__Eu sei, mas não precisa mais. As magras só servem pra desfilar, isso porque ainda não tem correção na passarela.
__E também você não tem altura…
__Mas não precisa. Veja a segunda foto. Não pareço mais alta? Então. Entende agora?
__Sim, mas… Nós não temos quem arrume as fotos depois do ensaio.
__Eu mesma arrumei as minhas. Aí eu pude mudar sem vergonha, né. Olha essa terceira foto, de bunda pra cá. Acha que minha bunda é assim? Claro que não. Tenho celulite que não acaba mais. Como todas!
__Nossa… Você tem tudo isso mesmo de peito?
__Claro que não né querida. Mudei também. Aumentei três números. Agora querem a mulher peituda. Não basta ter bunda grande, agora os peitos! Ficou linda a foto, né?
__Linda mesmo! Que maquiagem linda! Gastou uma grana pra esse ensaio heim…
__Nada… Tudo computador. Só os modelos de calcinha e sutiã são meus, o resto tudo computador. Maquiagem, luz de fundo, paisagem. Acredita que tiramos as fotos na garagem lá de casa?
__Lindas mesmo! Olha só, vou falar com o meu patrão e depois dou resposta, tá bem? E já vou falar que você é gente boa, assim é mais fácil. Tem umas magrelas que chegam aqui e nem conversam, só entregam os books e saem; aquelas fotos iguais, mesmas caras… E vem cá.
__Que foi?
__Baixinho… Você mexe numas fotos minha?
__Ah! claro! Gostou né! Mas não vai pegar meu lugar!
__Claro que não. Só pra colocar na internet. Vai que numa dessa sou convidada pra posar… ganhar uma grana preta!
__Nossa! Imagina que bom! Bom demais! Então me liga pra gente combinar, tá?
__Tá bom. E pode deixar que vou colocar o seu em primeiro aqui.
__Tchau.
__Tchau.

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Esta e outras crônicas estarão no livro Conversa Fiada, que preparo com calma e tranquilidade…

26

de
agosto

Bom dia

__Acorda, são sete horas.
__Já vou…
__Anda, acorda! Daqui a pouco vai perder o ônibus.
__Tá bom…
__Olha que hoje não te levo hein… Anda logo vai!
__Aham…
__Acorda… vai perder a hora…
__Tá bom…
__Vai perder hora.
__Que horas são?
__Sete e quinze já!
__Mas meu dentista é as onze.
__Eu sei, mas acorda pra ficar acordada já.
__Hoje é sábado…
__Amor, são sete e meia.
__Tá bom…
__Acorda amor, são quinze pras oito.
__Uhum…
__Oito horas!
__Porra! Que merda! Me deixa dormir em paz. Eu acordo mais tarde, pego o ônibus e vou.
__Precisa acordar de mau humor?
__E não tenho motivo?
__Calma amor… Tava chamando pra fazer o café.
__Ah! Vai tomar banho! Porque não faz esse café e toma e pára de me amolar. Puta que pariu!
__Nossa, se soubesse teria deixado dormindo.
__E devia mesmo! Saco!
__Oito e vinte amor!
__Cala a boca porra!
__Nossa! Já acorda assim… imagina à noite.
__Nem imagina. Vou tomar um banho.
__Toma gelado pra economizar, tá bem?
__Ah! Tá sim… Vou tomar bem gelado pra ver se quando eu sair não enfio a mão na sua testa.
__Enquanto isso vou assistir ao jornal da manhã.
__Não me amolando…
__Amor?
__Quê!
__Esqueceu de me dar bom dia…

 

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Esta e outras crônicas estarão no livro Conversa Fiada que preparo com calma e paciência.

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