Márcio AF Souza

Crônicas, poemas © - comentários, citações

17

de
março

Miniaturas

1

Que susto. Já assino o nome dele.

Susto passa.

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2

São lindas…

Te amo.

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3

Jurei que não queria saber de mim.

Poxa, isso que pensa de mim?

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4

Ah não, agora chego em casa e faço janta, lavo roupa…

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5

Procura-se: um amor que saiba, ao menos, ver o que gosto.

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6

Solta o cabelo, fica ainda mais linda.

Onde me viu de cabelo solto?

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7

Sou aquele menino que fica do lado da bola enquanto o amigo toma distância para chutar.

E você?

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8

Olha, já faz tempo… Não é só…

Outra hora, meu amor.

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9

Namorar aqui, na praça?

Não está bom?

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10

Fala isso mais não. Depois fico imaginando…

Seu bobo…

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11

Isso é meu presente?

É…

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12

Mas não dá pra saber quando fala sério ou brincando!

8

de
março

Que belo horizonte!

Fico sem saber o por quê de ler. Eu leio porque gosto. Muitas pessoas falam que leem  sem saber o motivo. Já viu algum escritor dizer que gosta de escrever? Eu não. Será pelo risco? Mas que risco há? Qual o risco em escrever quatro ou cinco palavras?

Aqui estão duas frases: “A arte é inimiga da indecisão”, Rubem Fonseca; “Só o que a gente pode pensar em pé - isso é que vale.” João Guimarães Rosa.

Pois bem, se a arte é inimiga da indecisão, é exata. E se é exata não é exaltação dos ânimos o que faz. Então, pensando assim, é muito bem trabalhada, estudada. Então devemos dar a palavra ao escritor. Certo? Mais a palavra do leitor, aí cresce a obra. E não examinar, procurar uma falha, algum ponto de comparação, nomeações, juntá-los em grupos.

Passamos à segunda frase. Alguém se remói em pé? Não é na hora de dormir que pensamos determinados assuntos? Então, se só o que vale é o que pensamos em pé, remoer na cama não vale. Será isso? Mas aí não podemos levar em conta o que passamos de bom deitados numa cama, e com isso não podemos levar em conta uma vida amorosa linda, cheia de sonhos, e se não podemos pensar isso tudo, o que vamos pensar?

Imagine a arte exata. Aqueles quadros que mais parecem delírios, aqueles poemas que não entendemos nada, aquelas esculturas, as músicas… Imagine se isso tudo é exata, perdemos um sonho, além do papai noel, coelhinho da páscoa.

Vou propor um desafio. Ler os livros consagrados de determinada época pela Academia, e ler os que não foram consagrados pela Academia. Daria uma tese e tanto, não?

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