15
de
julho
Minha ética ao celular
Um minutinho turma. Alô, oi queria, tudo bem? Tô, tô na aula sim. Não, pode falar. Pode falar, não tem problema mesmo. Não sei se eles ligam, vou perguntar. Vocês se importam se eu falar ao telefone com minha esposa? Não disse, nem responderam. Mas não importa, toda hora um levanta para atender o telefone, outro mexe toda hora, deve ser mandando mensagem. Aconteceu alguma coisa? Então tá bom. Mas eu saio tarde hoje, dou todas as aulas. Se bem que é sexta, e ninguém fica até o fim. Eu tava pensando em fazer um teste surpresa faltando meia hora pra acabar; não acho sacanagem. Tem hora certa pra acabar a aula, e eu tenho obrigação em passar todo o conteúdo. Tá bom, mas o que precisa comprar no supermercado? Você não pode comprar isso na padaria aí do lado? Mas vai a pé. Pô, isso não dá três sacolas. Tá bom, pode deixar que eu mesmo vou. Mais alguma coisa? E pra comer? Nada? Então vou comprar alguma coisa pra eu comer e vou levar um vinho hoje. Não, não acho que estou bebendo demais! Acho que você está preocupada demais com coisas sem importância; por que não se preocupa com sua saúde mental e desliga essa merda de televisão enquanto fala comigo? Então tá bom, em casa conversamos mais. Vou voltar à aula. Beijo, tchau.
Onde eu estava mesmo turma?
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Esta e outras crônicas estão no livro Conversa Fiada ©.

