Márcio AF Souza

Crônicas, poemas © - comentários, citações

3

de
junho

A escola do futuro, antevista por Machado de Assis

Ela não acreditou que Gabriel estivesse lendo um livro, disse que ele odiava ler livros. Acrescentei que era um livro do Machado de Assis e ela fez uma careta dizendo que quando mandavam ela ler Machado de Assis no colégio ela não conseguia e pedia a uma amiga para lhe dizer qual era a trama do livro, e acrescentou que Machado de Assis era um chato insuportável.
                                           Rubem Fonseca – Alice (ELA e outras mulheres)

 

 

 

“O Bruxo do Cosme Velho”

    Machado de Assis (1839 – 1908), considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos, algoz dos estudantes colegiais - não por culpa sua, claro - é natural do Rio de Janeiro. Órfão desde menino, teve uma vida simples e humilde. Pouco se conhece de sua infância e adolescência.
    Criou a Academia Brasileira de Letras junto com amigos intelectuais; escolheu como patrono o amigo já falecido José de Alencar. Fundou a cadeira de número 23, e com ela tornou-se imortal das Letras. Ocupou a presidência da Casa por mais de dez anos.
    Escreveu poemas, crônicas, contos, peças teatrais, romances. Destacou-se entre os maiores contistas e romancistas da Literatura a partir do ano de 1881; desta época estão os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904); as coletâneas de contos Papéis avulsos (1882), Várias histórias (1896), Histórias sem data (1899); entre outros.

Conto

   Entende-se por conto uma narrativa relativamente curta, com número menor de personagens, de espaço, de tempo, em relação à novela, ao romance. (Salvo alguns contos, como: “O Alienista”, Machado de Assis; “A arte de andar a pé nas ruas do Rio de Janeiro”, Rubem Fonseca). É, por característica, um texto conciso, em que o narrador dá ao leitor pistas ao longo da história contada. Esta história geralmente tem por trás uma segunda história, que o leitor hábil nota durante a leitura.

O Conto de Escola

    O “Conto de Escola”, publicado no livro Várias Histórias (1896), narra a história de um menino, Pilar, que aprende na escola algumas maldades e crueldades da vida, como a delação, a corrupção, o abuso do poder.
    Certo dia Pilar acorda e olha pela janela um lindo dia de céu claro, pensa em não ir à escola, mas lembra-se da surra que levara do pai por fazer dois feriados escolares durante a semana letiva; por esta razão vai à escola. Entra com medo do professor e senta-se. Fica a contemplar o papagaio pela janela. Seu colega de classe, Raimundo, filho do “mestre” Policarpo, pede que lhe ensine um ponto da lição de sintaxe, e junto ao pedido mostra-lhe uma moeda. Que tentação!
    Pilar, que já havia ensinado antes ao colega, fica seduzido pela idéia de ter uma moeda e ensina-lhe a lição por meio de um pedaço de papel, durante a aula. Tudo bem até então, só que, a cegueira causada pelo desejo não o deixa enxergar Curvelo, colega de classe sentado ao fundo da sala. Este delata os dois, Pilar e Raimundo, ao professor.
    O mestre profere um enorme sermão nos dois, joga a moeda pela janela e castiga-lhes com a temida palmatória. Todos ficam calados, principalmente Curvelo, o denunciante. Pilar senta-se e planeja encontrá-lo na rua para tirar satisfação; porém, Curvelo, o maior e mais velho da turma, não é visto na rua; corre de medo.
    Pilar não conta em casa o ocorrido. No dia seguinte sai cedo de casa a procura da moeda pela rua. Não a encontra. No meio do caminho (Ah! Drummond) encontra a companhia do batalhão de fuzileiros com sua respectiva fanfarra. Tenta-se com o tambor e vai atrás dele. E a escola?

© by Márcio A.F. Souza

Arquivado em: Ensaio © I

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