3
de
maio
E de repente…
Me vejo em casa sábado à noite, bebendo água e sem muita paciência pra muita coisa. Uma música no violão, uma volta com o cachorro, umas músicas, um episódio de Mandrake…
Um gole na água, um olhar pros lados, e tudo volta ao normal. Por que pensamos? Quem foi o filho da puta que começou a pensar? Esses dias eu ia escrever uma crônica sobre o Dia do Escritor, mas só pensei. Seria mais ou menos assim: e se eu não tivesse lido Saramago, Drummond, Cruz e Souza?, e alguns outros (isso na época de Floripa).
Me lembro de uma aula de interpretação de textos extra, à tarde. Era mais importante que as aulas de Física, pra mim. (E por ir muito mal em Física não passei no vestibular pra Letras!). Lembro que ficava fascinado com o que diziam os poemas, os textos… E foi nesta época que pensei: quero ser poeta! Ingenuidade. Mas boa, pois tinha 19 anos.
Agora to aprendendo a ler Camões, e descobrindo como é bonito! Entender um poema pode ser uma descoberta tão grande para sua vida, e até mesmo mais importante que saber a fórmula de Báscara!, que pode tirar lições de hoje com poemas escritos ontem. Por exemplo: eu hoje aqui, em frente ao computador escrevendo para um blog que não divulgo o link, abro um livro do Vinícius de Moraes e leio "Quem sabe a solidão, fim de quem ama".
Ontem eu abri minha agende de 2006 e encontrei um poema escrito lá e que ficou lá, sem ser lido, esse tempo todo… Eu nem lembrava dele, mas está lá. Não escrevi título para ele, apenas uma frase em cima, e com outra cor de caneta: Final de semana apaixonante com a Rita. O poema é sobre as despedidas, a vontade de ficar juntos, de poder viver um amor.
"De repente, não mais que de repente", o computador sumiu com a crônica que eu tinha escrito, e como não consigo escrever as mesmas palavras saiu assim… Tá bom, assumo, saiu dos trilhos…

