23
de
abril
Aos livros, aos seus autores, e aos seus leitores
Diz que hoje é o Dia do Livro e dos Direitos dos Autores, e entã resolvi prestar uma pequena homenagem. Selecionei alguns poemas e trechos para ilustrar este dia.
O primeiro é do poeta português Antero de Quental, o qual tomei conhecimento lendo uma crônica do Rubem Fonseca.
TORMENTO DO IDEAL
Conheci a Beleza que não morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,
Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre:
Assim eu vi o Mundo e o que ele encerra
Perder a cor, bem como a nuvem que erra
Ao pôr do Sol e sobre o mar discorre.
Pedindo à forma, em vão, a ideia pura,
Tropeço, sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.
Recebi o baptismo dos poetas,
E, assentado entre as formas incompletas,
Para sempre fiquei pálido e triste.
E então passo a palavra a um grande gênio da língua, João Guimarães Rosa, do Grande Sertão: Veredas.
"Quem desconfia, fica sábio."
"A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que de primeiro não se crê no sincero sem maldade".
"Moço! Deus é pasciência. O contrário, é o diabo."
E então chega Mário Quintana e diz:
Da condição humana
"Se variam na casta, idêntico é o miolo
Julguem-se embora de diversa forma
Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo
Que o mais sutil dos sábios quando ama."
E aí Bandeira diz:
Quintanares
"Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!"
Esta é uma pequena mostra do que habita meu pensamento.

