21
de
junho
Eu deixei de gostar (muito!) de futebol logo cedo, com dez ou onze anos. Depois que meu pai disse que por trás do jogo existe uma máfia. Depois disso perdi todo o tesão. Continuei jogando, mas sem garra. Nunca mais me importei em ganhar ou perder.
Torcedor brasileiro torce por fracassados! Os que jogam aqui é porque não conseguem ir pra qualquer lugar fora do País. Qualquer proposta leva um craque daqui. Quantos não foram e nunca mais apareceram na seleção. É a ganância financeira? É a vontade de jogar fora? É a ilusão "lá de fora"? Seja o que for, não é pra mim mesmo!
Meu caminho mudou completamente, graças… Hoje jogo bola sem muito tesão, sem muita garra. É claro que dentro de campo quero jogar bem, mas se o time perde não me importo muito. Aprendi a perceber qual é a inteligência do jogo. O filho do técnico tem sempre seu lugar. Os amigos também. E isso é bom. Senão não jogariam…
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O Boca foi novamente campão. Eles souberam jogar, souberam ganhar. Se eu tivesse em campo teria sido expulso. Que vontade de chutar um jogador! Parabéns a eles!
12
de
junho
Ternura
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.
Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.
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Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Mario Quintana
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim…
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir…
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas… e que estão escritas
do lado de fora do papel… Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia…
como
uma pobre lanterna que incendiou!
6
de
junho
Nunca pensei que minha pátria poderia ser minha mente. Isso é fabuloso! "Então quer dizer que temos duas pátrias?" Só duas? Eu tenho várias. Por onde passei, e passo, deixo lembranças e carrego outras.
Foi assim em Floripa, e tem sido assim em Foz. Sou natural de Belo Horizonte, mas com seis anos fui embora. Todos meus amigos, ou quase, são de Foz; em Floripa fiz ótimas amizades também. A saudade é grande. São grandes amigos.
Hoje sinto como é importante ser autêntico, sincero. Fico pensando essas pessoas que sacaneiam, fazem trapaças, o que elas carregam quando vão pra outro lugar? Não há nada melhor que ouvir um amigo dizer que estava conversando com outro sobre você, e o assunto é bom, é saudade, boas recordações…
Deixo aqui registrado um grande abraço aos meus amigos, verdadeiros amigos. Eles sabem quem são!
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Quando eu era criança eu li um livro que até hoje me lembro, e me marca muito. Numa das páginas um menino grande batia no menor porque o menor havia falado alguma coisa a ele. E então o pequeno aprende que se pensar e não falar ele nunca apanhará!
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"Quero ser o caçador, ando cansado de ser caça" (Zeca Baleiro)