Márcio AF Souza

Crônicas, poemas © - comentários, citações

29

de
maio

E agora?

    Estive relendo A caverna, de José Saramago.  A primeira vez que li pirei. Não acreditei que consegui terminar o livro. Era uma descoberta atrás da outra. Claro que meu entendimento não foi o melhor. Hoje compreendi muito mais que na primeira leitura.

    Desta leitura tiro uma lição tão grande, mas tão grande que não poderia deixar de escrever. Neste momento me sinto como Cipriano Algor diante do banco, no fundo da gruta. Diante de pessoas presas, viradas para a parede, vendo apenas sombras; este é o cenário! O meu cenário. O nosso cenário!

    Um dia li no jornal, acho que quem falou (era entrevista) foi o Afonso Romano de Sant´Anna (se eu estiver errado me desculpe!), o seguinte: se um dia a Globo ficar fora do ar, as pessoas não saberão quem são.  Não exatamente com essas palavras. Foi um baque!

    Eu sempre assisti a tevelevisão. Mas nesta época não mais. Me tornei leitor, e não queria saber de tevê. E foi neste instante que vi o que queria fazer, queria ser. E as dificuldades? Foda-se! Foi fácil pra alguém?

    Vinicuis de Moraes cantou: "a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro". E hoje percebo como os poetas estão certos quando dizem que o pior da vida é não viver um grande amor, uma grande paixão. E então, o que fazer da vida? Viver em frente a teve ouvindo comerciais pensando que são músicas? Cantando feliz, sorrindo, "deixa a vida me levar"?

    O que Cipriano Algor disse ao ver os três homens e as três mulheres presos no banco, de frente pra parede, olhando apenas as sombras? Não farei suspense. "Éramos nós."

25

de
maio

Quanta saudade!

Esta é das minhas preferidas do local.

 

PS: Acho que com as fotos terei mais visitantes, não?

 

12

de
maio

Ah Quintana

Do espetáculo desta vida

                                                                                        Mário Quintana

Impossível será que melhor vida exista,

Enquanto o mundo assim se distribuir:

No palco a Estupidez, para ser vista,

E a Inteligência na platéia, a rir…

 

Ah se eu soubesse desse outro olhar … Só ontem percebi, num bar… Tanta sabedoria, tanta afirmação, tanto discurso, Quintana, que seus quintanares vieram despercebidos, por eles…

 

"Em 25 de agosto [1966] o poeta é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o seguinte poema, de sua autoria, em homenagem a Quintana: " (releituras.com)

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares…
Perdão! digo quintanares.

 

Manuel Bandeira

 

Ah Quintana, seu eu soubesse desse olhar antes…

7

de
maio

Leitor chato

Será que ser leitor é ser chato? Às vezes tenho esta impressão. To certo? Não sei. O que acha?

Arquivado em: Leituras I Comentários (0)

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://marcioafsouza.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.