12
de
setembro
De nascimento, será?
Eu pensava que o João (nome fictício) poderia ser um poeta com lindos versos. Jurava que poderia. Pensei em falar com ele sobre o assunto. Pensei, pensei, e não falei.
Ainda bem que não falei. Eu descobri que seu jeito não é para poesia. É para politicagem. Quanta diferença! Tamanha diferença! Ele tem alguns sentimentos guardados que dariam bons versos. Dariam. Quem nasceu para politicagem não nasceu para ser poeta.
No saite do violonista Toquinho tem alguns pensamentos interessantes, e um deles sobre a vida de um poeta. O viver diário do poeta. O que não é fácil. O Ildo Carbonera em seu livro Alguém viu meu avô? lamenta que a poesia "não é mais algo que abala, revoluciona, comove."
Assumir-se poeta também não abala, não cria a idéia de que o poeta pode jogar futebol, basquete, nadar. Tem-se a idéia de que o poeta é um ser viajante, sonhador. Não que ele é uma pessoa que escreve, e só. O poeta escreve. o músico toca, a dançarina dança. E quem faz politicagem? O que é quem faz politicagem?
"Fazer samba não é contar piada / Quem faz samba assim não é de nada / Um bom samba é uma forma de oração" diz Vinicius de Moraes. O que diz o camarada que faz politicagem? Tá vendo João, não prestei atenção ao que falou. Mas sua politicagem rendeu uma crônica. Até que serviu pra alguma coisa.


Comentário por Danoca — sexta-feira, 6 de outubro de 2006 (23:52:28)
Não vou me limitar a curiosidade de saber quem é o “João”,só vou pensar um pouco sobre o que é quem faz politicagem…