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criado por marcio.af.souza
14:39:34 Estava eu, Márcio, andando pela lagoa, curtindo uma tarde de sábado. Dia bonito, não ventava muito. Veio em minha direção uma menininha muito bonitinha, de uns 3 anos. Achei a cena linda, e com toda a minha simpatia abri um sorriso, e ela, pra retribuir gritou, chorando: mãe!, mãe!
Dei uma gargalhada e a mãe da menina ficou sem entender. Cheguei do seu lado e falei, sua filha matou meu sábado, fui sorrir pra ela e ela quase chorou!
Juro!

criado por marcio.af.souza
19:03:09 Um minutinho turma. Alô, oi queria, tudo bem? Tô, tô na aula sim. Não, pode falar. Pode falar, não tem problema mesmo. Não sei se eles ligam, vou perguntar. Vocês se importam se eu falar ao telefone com minha esposa? Não disse, nem responderam. Mas não importa, toda hora um levanta para atender o telefone, outro mexe toda hora, deve ser mandando mensagem. Aconteceu alguma coisa? Então tá bom. Mas eu saio tarde hoje, dou todas as aulas. Se bem que é sexta, e ninguém fica até o fim. Eu tava pensando em fazer um teste surpresa faltando meia hora pra acabar; não acho sacanagem. Tem hora certa pra acabar a aula, e eu tenho obrigação em passar todo o conteúdo. Tá bom, mas o que precisa comprar no supermercado? Você não pode comprar isso na padaria aí do lado? Mas vai a pé. Pô, isso não dá três sacolas. Tá bom, pode deixar que eu mesmo vou. Mais alguma coisa? E pra comer? Nada? Então vou comprar alguma coisa pra eu comer e vou levar um vinho hoje. Não, não acho que estou bebendo demais! Acho que você está preocupada demais com coisas sem importância; por que não se preocupa com sua saúde mental e desliga essa merda de televisão enquanto fala comigo? Então tá bom, em casa conversamos mais. Vou voltar à aula. Beijo, tchau.
Onde eu estava mesmo turma?
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Esta e outras crônicas estão no livro Conversa Fiada ©.

criado por marcio.af.souza
00:18:07Ontem uma pessoa me perguntou o que significa um trabalho literário para a sociedade. Respondi assim: pouco; e qual o espaço que a literatura tem dentro da sociedade? Não soube responder. E então foi tentando me fazer assumir que o que eu faço não é de utilidade, não serve pra nada.
Perguntei a ele se ele tinha idéia de que foi a partir d´Os Lusíadas que a língua portuguesa começou a ter forma definida, que foi a partir de A Divina Comédia que a língua italiana passou a ter forma. Veja, foi da arte para a ciência. Me perguntou se não acho frustrante me especializar em algo que quase ninguém se interessa, se fazer Letras não é inútil.
Já havia me perguntado sobre o valor de trabalho literário antes, e minha resposta foi curta, sem muita vontade pra discussão. Ontem resolvi falar, e ele não teve resposta quando eu falei: já pensou que se não tivesse a Dona Maria, sua professora que ensiou a ler ca-que-qui-co-cu, você ia tomar no cu! ia se foder! Já pensou isso? Você seria um fudido!
Ele, que estuda engenharia mecânica e gosta de carros, não teve mais resposta. Depois nos contou que tem uma namorada, e hoje, dia dos namorados, tava pensando em terminar com ela, mas não tinha coragem porque ela era virgem. Falei pra ele: você é burro? vai terminar agora?Compra uma flor pra ela.
Só não falei pra ele mandar uma rosa com um cartão com um poema porque ele iria entrar na internet, pegar um poema que recebeu no email com o nome do Veríssimo, e ela ia achar a milésia maravilha, sem saber que o Autor não escreve poesias...
Toda vez que alguém fala que cada um tem um gosto eu respondo: ainda bem!
PS: Leia o que Rubem Fonseca escreveu sobre essa história de que a literatura de ficção morreu; aliás, seu último livro "O Romance Morreu" é um tapa nessas pessoas; ou não?
Poema de Carlos Drummond de Andrade.
O AMOR ANTIGO
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a beleza.
Se em toda parte o amor desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
Imagina se o camarada mandasse este poema à sua namorada... Uma pena que pra ele a Literatura não vale nada... Imagina se o camarada soubesse o que uma mulher sente ao receber um poema... Mas ele só têm olhos pra carros...

criado por marcio.af.souza
11:58:42Ela não acreditou que Gabriel estivesse lendo um livro, disse que ele odiava ler livros. Acrescentei que era um livro do Machado de Assis e ela fez uma careta dizendo que quando mandavam ela ler Machado de Assis no colégio ela não conseguia e pedia a uma amiga para lhe dizer qual era a trama do livro, e acrescentou que Machado de Assis era um chato insuportável.
Rubem Fonseca – Alice (ELA e outras mulheres)
“O Bruxo do Cosme Velho”
Machado de Assis (1839 – 1908), considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos, algoz dos estudantes colegiais - não por culpa sua, claro - é natural do Rio de Janeiro. Órfão desde menino, teve uma vida simples e humilde. Pouco se conhece de sua infância e adolescência.
Criou a Academia Brasileira de Letras junto com amigos intelectuais; escolheu como patrono o amigo já falecido José de Alencar. Fundou a cadeira de número 23, e com ela tornou-se imortal das Letras. Ocupou a presidência da Casa por mais de dez anos.
Escreveu poemas, crônicas, contos, peças teatrais, romances. Destacou-se entre os maiores contistas e romancistas da Literatura a partir do ano de 1881; desta época estão os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904); as coletâneas de contos Papéis avulsos (1882), Várias histórias (1896), Histórias sem data (1899); entre outros.
Conto
Entende-se por conto uma narrativa relativamente curta, com número menor de personagens, de espaço, de tempo, em relação à novela, ao romance. (Salvo alguns contos, como: “O Alienista”, Machado de Assis; “A arte de andar a pé nas ruas do Rio de Janeiro”, Rubem Fonseca). É, por característica, um texto conciso, em que o narrador dá ao leitor pistas ao longo da história contada. Esta história geralmente tem por trás uma segunda história, que o leitor hábil nota durante a leitura.
O Conto de Escola
O “Conto de Escola”, publicado no livro Várias Histórias (1896), narra a história de um menino, Pilar, que aprende na escola algumas maldades e crueldades da vida, como a delação, a corrupção, o abuso do poder.
Certo dia Pilar acorda e olha pela janela um lindo dia de céu claro, pensa em não ir à escola, mas lembra-se da surra que levara do pai por fazer dois feriados escolares durante a semana letiva; por esta razão vai à escola. Entra com medo do professor e senta-se. Fica a contemplar o papagaio pela janela. Seu colega de classe, Raimundo, filho do “mestre” Policarpo, pede que lhe ensine um ponto da lição de sintaxe, e junto ao pedido mostra-lhe uma moeda. Que tentação!
Pilar, que já havia ensinado antes ao colega, fica seduzido pela idéia de ter uma moeda e ensina-lhe a lição por meio de um pedaço de papel, durante a aula. Tudo bem até então, só que, a cegueira causada pelo desejo não o deixa enxergar Curvelo, colega de classe sentado ao fundo da sala. Este delata os dois, Pilar e Raimundo, ao professor.
O mestre profere um enorme sermão nos dois, joga a moeda pela janela e castiga-lhes com a temida palmatória. Todos ficam calados, principalmente Curvelo, o denunciante. Pilar senta-se e planeja encontrá-lo na rua para tirar satisfação; porém, Curvelo, o maior e mais velho da turma, não é visto na rua; corre de medo.
Pilar não conta em casa o ocorrido. No dia seguinte sai cedo de casa a procura da moeda pela rua. Não a encontra. No meio do caminho (Ah! Drummond) encontra a companhia do batalhão de fuzileiros com sua respectiva fanfarra. Tenta-se com o tambor e vai atrás dele. E a escola?
© by Márcio A.F. Souza

criado por marcio.af.souza
11:48:01