21
de
agosto
Mudança
Este blod está de mudança. Aos poucos os escritos serão levados para o novo endereço:
Depois de anos aqui resolvi mudar. Mudei porque lá posso colocar vídeos, colocar foto na capa.
Então já sabem, A mina do cara!
Este blod está de mudança. Aos poucos os escritos serão levados para o novo endereço:
Depois de anos aqui resolvi mudar. Mudei porque lá posso colocar vídeos, colocar foto na capa.
Então já sabem, A mina do cara!
Estou lendo McMáfia, de Misha Glenny, e li estas duas frases que não podem ficar de fora. E combina conosco, mesmo falando de um país do outro lado do mundo…
“O crime organizado e a corrupção prosperam em regiões e países em que a confiança popular nas instituições é frágil.” (p.99)
“Mas o que a fraude demonstra, sem sombra de dúvida, é que, quando um sindicato do crime convence um Estado poderoso a concordar ou cooperar com suas negociatas, tem em mãos a senha mágica para a gruta dos tesouros de Aladim. Porque não existe organização criminosa mais bem-sucedida do que a que conta com o apoio estatal.” (p. 107)
Será mesmo? Às vezes eu penso que isso não é nada anormal… O Sarney, o ACM… Essa corja toda aí, mandando e desmandando, sem grandes problemas.
Agora imagine se a vovó ACM, antes deste neto ter nascio, tivesse feito um aborto. Seria pecado? A mesma situação com a vovó Sarney, seria pecado um aborto nestas condições?
Um com seis são um baita problemão
Um com seis são um primo chatão
Se três com seis não são nem uma dezena
Seis com seis são uma dúzia de…
Se com uma é pouco, duas é bom e três é demais
Imagine que com seis são uma chatice
.
Baseado apensas nesses versinhos, podemos explicar e ensinar um pouco de língua portuguesa. Não são versos literários, apesar de contes elementos que caracterizam a poesia. Podemos também dizer que não passa de uma brincadeira com palavras que formam rimas. Ensinar a usar a língua portuguesa é o importante, e não mandar decorar regras, tempos verbais, sem ensinar a usar, para tirar nota em provas.
Pode-se dizer que esta é uma pequena introdução às nomenclaturas matemáticas. Uma maneira de mostrar aos colegas que podemos associar a qualquer área o ensino da nossa bonita língua portuguesa. Isto é subjetividade da língua.
Vejamos agora como ensinar português com estes versos; usaremos primeiro o primeiro verso, apenas:
“Um com seis são um baita problemão”.
A primeira pergunta que faria a um aluno seria: por que o ponto está fora das aspas? E com isso podemos ensinar os alunos a usar citação em texto. Podemos dizer que eles podem fazer isto. Perguntaria também se o “Um” é artigo ou numero, e como ele pode exlicar isto.
Depois de o aluno responder a essas duas pergunta, perguntaria a o que significa sintaticamente “com”, visto que outras têm significado semelhante. Para responder esta pergunta ele deveria saber que a preposição foi posta de propósito como segunda palavra, para manter a oralidade. Com isso, estaremos ensinando a usar preposições.
Pode-se ensinar concordância verbal usando o verbo “são”, do verso. Como a preposição une o “um” com o “seis” ao verbo. Qual significado sintático do “um” e do “seis”? Quem “são um baita problemão”? Este verso também serve para explicar formação de frase – sujeito, verbo, complemento?
Para quem faz curso de letras, perguntaria, além das perguntas anteriores, o que significa, lingüisticamente, baita. Perguntaria também que elementos fazem destes versos, agora todos, um verso literário, uma poesia. E perguntaria a turma se eles entenderam o que eu quis mostrar, e, não somente, o que eles viram.
Passamos ao segundo verso: Um com seis são um primo chatão. Este primo quer dizer o quê? Uma soma matemática? Um parente?
Com apenas uma frase podemos ensinar um pouco aos alunos, imagine com um ano de trabalho sério, com todos à vontade.
Será que podemos ensinar os alunos desta forma, mostrando o que podemos fazer com o idioma? Será que os alunos nos levarão a sério, como os professores, e futuros professores?
—-
Esta “brincadeira com palavras” foi escrita pelo aluno Márcio AF Souza no ano de 2003, e faz parte de um poema, do próprio autor.
Com ela, não quer dizer nada mais fo que está escrito.
–>*Nossa, isso no meu primeiro ano de faculdade. Fiz para uma professora. Descubra o nome dela e ganhe um prêmio.
Ei-lo:
.
Um com 6?
Um com seis são um baita problemão
Um com seis são um primo chatão
Se três com seis não são nem uma dezena
Seis com seis são uma dúzia de…
Se com uma é pouco, duas é bom e três é demais
Imagine que com seis são uma chatice
(hoje quem manda não sou eu, ó Berenice!)
Não diga nada a ninguém que eu disse
que aquela com seis são uma chatice.
Mas como todas Berenice é tagarela
abriu a boca desfilando na passarela:
“Eita mundão com seis são difícil de lidar
E o poeta taí pra te alertar
Se ri sozinho não se espante, não é droga!
Se ri sozinho pode ser uma nova obra.
Ele vê coisas que jamais você veria
Ele diz coisas que você jamais diria.
De repente me vi sozinho. Sempre com muitos amigos. E agora só.
Não é ruim ficar só. Acostumei com isso já tem uns anos, desde os tempos de Floripa. Saio, me divirto, converso com alguém. Só que neste feriado de Páscoa todos saíram da cidade e eu não. Eu já estava com a mala pronta para ir a Diamantina mas não fui. Problemas de saúde. Então fiquei.
A sensação de estar sem alguém ao lado me pegou sério ao saber do “prazo de validade” do Foca. Foi um baque geral! Todos comovidos. O choro rompeu os limites geográficos e foi parar em Foz do Iguaçu, PR. A estrada (ah! estrada!) não conteve os sentimentos. Quando contei o caso a um amigo, sua namorada falou: Nossa, pelo jeito que você fala…
Sim, é um cachorro. Uma compainha. Mais que isso. Um parceiro! Parceiro nas caminhadas noturnas onde só nós dois éramos vistos nas madrugadas. E teve gente que sentiu nossa falta! Dá pra acreditar? Buscávamos a solidão da madrugada e ainda deixamos saudades! Agora não podemos mais passear, Foca tem um problema sério de coração, e a médica veterinária deu um prazo de validade para ele.
“De repente, não mais que de repente” me vi envolto a poesia, lendo, sentindo, curtindo a pequena solidão no meu mundo físico - pois é, tem um lugarzinho aqui que é meu. E neste lugar (chama-se O Berço [da loucura]) a poesia tornou-se amiga, companheira. Então me tornei um careta! Em casa lendo poesia enquanto a galera vai pras baladas. Devo admitir que recusei uns convites.
Hoje é sábado. Será que sairei para tomar uma cervejinha, afinal aqui é BH, em BH nós vamos pro bar. Ou ficarei com a poesia? Provavelmente sairei com meu carro pela estrada cantando: “Eu não ando só, só ando em boa companhia, com meu violão, minha canção, e a poesia”.
Saravá Poetinha!
1
Que susto. Já assino o nome dele.
Susto passa.
.
2
São lindas…
Te amo.
.
3
Jurei que não queria saber de mim.
Poxa, isso que pensa de mim?
.
4
Ah não, agora chego em casa e faço janta, lavo roupa…
.
5
Procura-se: um amor que saiba, ao menos, ver o que gosto.
.
6
Solta o cabelo, fica ainda mais linda.
Onde me viu de cabelo solto?
.
7
Sou aquele menino que fica do lado da bola enquanto o amigo toma distância para chutar.
E você?
.
8
Olha, já faz tempo… Não é só…
Outra hora, meu amor.
.
9
Namorar aqui, na praça?
Não está bom?
.
10
Fala isso mais não. Depois fico imaginando…
Seu bobo…
.
11
Isso é meu presente?
É…
.
12
Mas não dá pra saber quando fala sério ou brincando!
Fico sem saber o por quê de ler. Eu leio porque gosto. Muitas pessoas falam que leem sem saber o motivo. Já viu algum escritor dizer que gosta de escrever? Eu não. Será pelo risco? Mas que risco há? Qual o risco em escrever quatro ou cinco palavras?
Aqui estão duas frases: “A arte é inimiga da indecisão”, Rubem Fonseca; “Só o que a gente pode pensar em pé - isso é que vale.” João Guimarães Rosa.
Pois bem, se a arte é inimiga da indecisão, é exata. E se é exata não é exaltação dos ânimos o que faz. Então, pensando assim, é muito bem trabalhada, estudada. Então devemos dar a palavra ao escritor. Certo? Mais a palavra do leitor, aí cresce a obra. E não examinar, procurar uma falha, algum ponto de comparação, nomeações, juntá-los em grupos.
Passamos à segunda frase. Alguém se remói em pé? Não é na hora de dormir que pensamos determinados assuntos? Então, se só o que vale é o que pensamos em pé, remoer na cama não vale. Será isso? Mas aí não podemos levar em conta o que passamos de bom deitados numa cama, e com isso não podemos levar em conta uma vida amorosa linda, cheia de sonhos, e se não podemos pensar isso tudo, o que vamos pensar?
Imagine a arte exata. Aqueles quadros que mais parecem delírios, aqueles poemas que não entendemos nada, aquelas esculturas, as músicas… Imagine se isso tudo é exata, perdemos um sonho, além do papai noel, coelhinho da páscoa.
Vou propor um desafio. Ler os livros consagrados de determinada época pela Academia, e ler os que não foram consagrados pela Academia. Daria uma tese e tanto, não?
__Você tem os cabelinhos da xoxota assim?
__Quê?!
__Os cabelinhos…
__Você é maluco?
__Claro que não. Sou curioso. São roxos?
__Não. São rosas. Quer ver?
__Agora?
__Pode ser. Quer?
__São roxos?
__Você mesmo pode ver. Com seus próprios olhos.
__Aqui?
__Qual é o problema? Não é curioso?
__Sou. Já fiz tratamento com psicólogas por anos, pra falar a verdade.
__E pelo visto não adiantou muito, não é?… Você só pode ser maluco.
__Não sou. Acredita?
__Pior que acredito. Posso falar uma coisa?
__Claro.
__Tô apaixonada!
__É mesmo?!
__Juro.
__E pode me falar quem é o sortudo?
__Você!
__Acho que você é maluca.
__Acha?
__Acho.
__Acha errado.
__Será?
__Aposto.
__Por que eu estaria errado?
__Porque você que é maluco, e não eu.
__Mas você falou que tá apaixonada…
__E morrendo de vontade de trepar. Você não tá?
__Eu…?
__É! Você!
__Você é maluca…
__Não quer ver se são roxos?
__Tá louco… essa maluca tá doida.
__Anda, vem… Não tava em dúvida?
__Agora é outra. Quem é maluco de nós dois?
__E você ainda pergunta. Claro que é você.
__Eu não, maluca é você.
__Olha aqui, doidão, você me pergunta se tenho os pentelhos roxo e ainda fala que eu é que sou maluca! Tá doido? Bebeu? fumou? Me dá um desse que você tomou!
__Já falei, é psicológico. Fiz tratamento durante uns dois anos mais ou menos. Eu ia lá e falava, falava, e ela falava, falava, e eu falava, e ela falava, e no fim das contas eu pagava e não adiantava nada, porque eu fui descobrir que pra aprender as coisas eu preciso escrever.
__Me beija! Me leva pra cama!
__Você só pode ser doida.
__Você foi a única pessoa que disse isso. Será que alguém mais pensaria isso?
__Espero que sim.
__Que isso! Não tem ciúme da sua namorada!?
__Namo – quê!?
__Namorada. Ouviu muito bem! Não somos um casal de namorados?
__Nossa – mãe! Você nasceu?
__Frui brotada. Como todas as outras flores. Olha, já sei com qual vestido vou casar!
__Casar? O que você bebeu?
__Água mineral.
__Com ou sem gás?
__Com.
__É isso. Só pode. Vou escrever para todas as companhias de água e pedir um exame. Você não pode ser normal.
__Querido, já falei sobre ser normal. Não fui eu quem fiz psicóloga pra arrumar uma namorada disposta a casar logo. Saí na rua perguntando a cor do pentelho dos homens? Saí? Agora vai casar! Meu pai morreu, mas se ele fosse vivo diria que com filha dele ninguém brinca! Pode providenciar a festa.
__Você é doida?
__Você agora só sabe falar isso? Seu babaca! Quem é doida aqui, hein!? Fala… Isso é jeito de abordar as pessoas na rua?
__Olha, foi só uma piada.
__Piada? Isso foi uma piada?
__É, foi sim. Por quê? Não gostou?
__Adorei. Agora vamos pro motel.
__Você é louca. Só pode.
__Não fez uma piada com meus cabelos e meus pentelhos? Agora você vai até o motel, nem que seja só pra ver.
__Então mostra aqui mesmo, vai. Rápido. Dá só uma abaixadinha na calça e mostra.
__Aqui? Assim?
__É. Não quer mostrar? Vai fazer doce agora?
__Vai dar não.
__Me chama de louco, chama pro motel (você ia pagar? porque eu não tenho um tostão.), fala que vai mostrar e não mostra. Qual é a sua?
__Raspei.
__Ah… Então tchau.
__Tchau? Maluco, pensou.
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Esta e outras crônicas estarão no livro Conversa Fiada
Sempre imaginei escrever crônicas, nunca imaginei que para isto teria que ler, pesquisar, estar atento ao mundo em minha volta. Hoje foi eleito Sarney para presidente do Senado. Acontece o Festival de Verão de Salvador. As boazudas estão preparando os silicones para o carnaval. Carros são roubados na Zona Sul como nunca aconteceu antes, em plena luz do dia. Assaltos com refém torna-se normal no Brasil de Lula.
O que se tem escrito no mesmo Brasil de Lula? O que os poetas têm dito, nestes últimos anos? E os cronistas? Quais os livros lançados aqui que não estão na lista da Veja e que são ótimas leituras; nem sempre fáceis best-sellers. Eis a grande questão: saber!
Em uma conversa uma amiga disse que não gostou muito do Haiti, pois lá a desigualdade é imensa. E aqui? Ela disse que aqui não é tanto. Pois bem, se aqui, no Brasil, não é tanta, lá não deve estar pior. Certo? Estive pensando sobre isso há um tempo, no Topo do Mundo, e tirei uma idéia apenas observando os carros que subiam a serra. Como não sei de modelos, vou pelo valor estipulado: uma moto 150cc; depois uma caminhonete de 150 mil; logo depois um carro-mil; e outra caminhonete de 250 mil; logo depois um Fiat 147 que nem preço tem; e em seguida uma moto 600cc, uns 20 mil; aí veio um ônibus com alguns passageiros; e depois um carro em torno de 40 mil; mais um carro-mil. E assim por diante.
Será que não há desigualdade naquela curva de serra? Só foi possível a observação graças ao acidente causado por uma Van, transportando pessoas que mexiam com os motoristas e seus acompanhantes; acho que foi a melhor maneira de passar o tempo e a raiva de um passeio de domingo perdido. Um passeio longo e longe de casa.
Enquanto a menina me falava da desigualdade passávamos em frente a uma favela, das maiores de BH, entre dois bairros de classe média alta. A favela tem vista para um lago, com pista de correr e fazer exercícios. Conhece algum bairro de periferia com uma pista de correr com lago? Pode ser só uma pracinha limpa.
Não julgo a capacidade dela. Julgo a minha. Eu queria ser cronista, então a obrigação é minha de ficar atento ao mundo que me cerca.
Nossa! Que mulher linda!
Olha seu tênis
sua calça
sua camisa
Tudo da última moda
Que mulher!
Seu tênis deve ter custado caro
e sua calça!
Nossa! Que mulher!